Este artigo foi retirado diretamente da Lição no. 10 do DEIXAI IR O MEU ESPÍRITO!, o nosso curso que tem por objetivo o desenvolvimento da consciência espiritual. Considerando que ela se encontra no final do curso, você encontrará referências a conceitos básicos ensinados nas lições anteriores. Se aquilo que você lê aqui ressoar no seu íntimo, nós o convidamos para que comece do início — cada lição fundamenta-se na lição anterior, formando um caminho completo para o desenvolvimento espiritual. Clique no botão “Inscreva-se Agora…” no final da página.
DEIXAI IR O MEU ESPÍRITO!
O TREINAMENTO DO ESPÍRITO NA VIDA DIÁRIA
Lição no. 10: Os Dez Mandamentos da consciência espiritual na parentalidade
Estar num relacionamento sério e ser pai ou mãe são duas experiências que podem contribuir muito para o desenvolvimento espiritual, porque servem como reflexos muito semelhantes ao nosso mundo interior. Ou seja, revelam como realmente nos encontramos em relação à interação entre intelecto, emoções e espírito.
Já explicamos isso na introdução do curso: “as pessoas mais próximas de nós não impedem o nosso desenvolvimento espiritual; elas são parte dele e até o auxiliam!”
Portanto, as crianças servem como professores maravilhosos que vieram para nos ensinar lições sobre o nosso ego e sobre como ouvir de forma simples a intuição.
Jesus já transmitiu esse ensinamento aos seus discípulos em uma frase: “Deixai vir a mim as crianças e não as impeçais, pois delas é o Reino dos céus.” (Mateus 19:14)
No entanto, enquanto as pessoas precisam fazer um curso para obter uma carteira de motorista, não existem cursos ou preparação espiritual para o casamento, a paternidade e maternidade, e assim vemos muito sofrimento, particularmente dentro da família.
Enquanto a Lição Nove forneceu preparação espiritual para relações que envolvem compromisso, a lição de hoje se concentra na preparação espiritual para a paternidade e maternidade.
Para começar, devemos primeiro nos libertar da concepção errônea de que a parentalidade acontece “naturalmente”. Isso porque apenas o aspecto biológico é, de fato, natural, mas o tornar-se um pai ou uma mãe que pode verdadeiramente servir como guia para o caminho de seu filho na vida requer consciência espiritual e muita prática.
Essa consciência pode evitar erros críticos na criação de crianças pequenas, além de fornecer ferramentas para corrigir erros passados que possamos ter cometido com nossos filhos já crescidos porque carecíamos de consciência espiritual naquele momento anterior de suas vidas.
Além disso, a consciência espiritual nos ajuda a corrigir os erros que nossos pais cometeram, e assim não apenas nos cura e realinha as nossas vidas, mas também quebra a cadeia de padrões errados passados de geração em geração.
O Primeiro Mandamento: Nossos filhos não são nossos
O poeta libanês Khalil Gibran escreveu em seu poema “Sobre as Crianças”:
“Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós,
E embora estejam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes o vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas…”
Portanto, trazer uma criança ao mundo significa proporcionar uma oportunidade para uma alma independente crescer e se desenvolver através de nós, mas ela nunca nos pertencerá.
Na prática, este mandamento exige que nos libertemos do antigo e tradicional conceito de paternidade e maternidade que se concentra na posse e controle, pois falha em respeitar a criança como uma pessoa independente com seu próprio destino.
Devemos lembrar que nosso filho não é uma “versão nossa em miniatura”, nem um “mini-eu”! Nosso intelecto e emoções não podem se orgulhar dele como se fosse uma parte integral de nosso ego.
Os sábios ensinaram que “só podemos aprender daquilo que o nosso coração deseja” (Avodah Zarah 19a)
e aconselharam a “educar o jovem de acordo com o caminho dele”,
(Provérbios 22:6),
no entanto, grande parte da educação atual – tanto em casa quanto na escola – não aborda o que o coração da criança deseja ou o seu caminho único, mas sim o que os egos dos pais e do professor desejam.
Ou seja, muitos pais aspiram que seus filhos tenham sucesso onde eles falharam, ou que se destaquem em áreas nas quais eles próprios foram apenas medíocres.
Portanto, devemos olhar corajosamente para nossas próprias deficiências e entender que sem termos uma consciência espiritual, corremos o risco de usar nossos filhos para preencher estes vazios.
Na prática, este mandamento nos dirige, como pais, a purificar o nosso ego e primeiro educar a nós mesmos para nos tornarmos quem deveríamos ser.
O Segundo Mandamento: Não nascemos de nossos pais por acaso
Este mandamento nos ensina que não nascemos por acaso de nossos pais, e que os nossos filhos não encontraram seu caminho até nós por coincidência.
Não há acasos na encarnação das almas, que ocorre de acordo com duas Leis que existem na Criação:
- A Lei da Atração entre Espécies Similares
- A Lei da Ação Recíproca (também conhecida como Lei de Causa e Efeito ou Lei do Karma).
Em outras palavras, a razão pela qual nascemos em uma família específica pode ser porque compartilhamos traços similares (positivos ou negativos), ou porque temos um passado compartilhado de vidas anteriores que precisa ser resolvido ou desenvolvido.
Portanto, o importante é parar de culpar os nossos pais e de nos sentir como vítimas das circunstâncias e, em vez disso, descobrir as lições que viemos aprender através deles.
Se você quer começar a descobrir por que escolheu seu o “laboratório familiar”, você está convidado a fazer o seguinte exercício:
Pegue uma folha de papel e divida-a em três colunas. Na primeira coluna, liste os seus próprios traços de caráter, tanto positivos quanto negativos. Na segunda coluna, faça o mesmo para sua mãe, e na terceira para seu pai. (Se você tem filhos crescidos, pode adicionar uma coluna para cada um deles, listando seus traços positivos e negativos.)
Depois de completar estas listas, compare-as para descobrir padrões que revelam quais erros você veio corrigir, assim como os talentos que veio desenvolver.
Uma vez que a lição sobre porque reencarnamos em nossa família é aprendida, estamos livres para continuar no nosso caminho. Então também entenderemos que a nossa infância – que a psicologia tanto ama analisar e culpar por todos os nossos problemas – é apenas uma pequena parte do passado de nosso espírito.
Este passado – que é o resultado de encarnação após encarnação – só podemos descobrir e corrigir através do desenvolvimento de uma consciência espiritual.
Este mandamento também é muito importante para casais que desejam e planejam trazer uma criança ao mundo.
De acordo com as Leis da Criação, você pode herdar apenas os traços genéticos do corpo físico de seus pais. No entanto, o espírito, revestido em seu corpo-alma antes de entrar no corpo físico, permanece inteiramente independente.
Um casal vibrando na frequência elevada do verdadeiro amor, conexão espiritual e harmonia pode atrair uma alma superior. No entanto, a falta de consciência sobre o significado mais profundo do ato sexual – como discutido na lição nove – pode levar ao oposto: atrair uma alma perturbada – uma “ovelha negra” – para a família.
O Terceiro Mandamento: Conexão cria correção
Antes da maturidade sexual – a idade em que a alma rompe sua cobertura e começa sua jornada independente – as crianças absolutamente precisam de limites. (Como já explicamos na lição três.)
Você não pode dizer a uma criança pequena: “coma o que quiser, quando quiser” (então a criança comerá doces e comida não saudável o dia todo) ou “vá dormir quando sentir vontade” (e a criança ficará grudada nas telas toda a noite, finalmente adormecendo no sofá da sala).
As crianças também precisam de orientação e correção quando se comportam mal. No entanto, muitos pais cometem um erro ao estabelecer limites e oferecer orientação: as Rainhas do Drama dos pais ficam estressadas e imediatamente tentam consertar o erro de seu filho.
Ao fazer isso, eles se desconectam da alma da criança, impondo comandos irritados que essencialmente transmitem: “se você quiser o nosso amor de volta, deve nos obedecer agora mesmo.”
Em outras palavras, a mensagem que é transmitida à criança é: “corrija seus caminhos e só então recuperará sua conexão conosco”.
Isso geralmente acontece inconscientemente, mas para uma criança pequena – que precisa do amor dos pais como do oxigênio – isso leva a uma experiência de abandono com efeitos prejudiciais que duram toda a vida.
Essas crianças frequentemente se tornam pessoas que buscam agradar, procurando amor mesmo quando interiormente não estão convencidas de que estão fazendo a coisa certa, ou se tornam tipos agressivos que usam a hostilidade ou o retraimento para evitar sentir a dor do abandono novamente.
O manter a conexão interior com nossos filhos – mesmo perante seu pior comportamento e durante os momentos mais desafiadores – torna-se especialmente crucial durante a adolescência.
Nessa idade, a alma já começou sua jornada independente e, portanto, é muito provável que se os pais usarem a manipulação para corrigir o comportamento de seus adolescentes, se desconectando deles, os adolescentes não responderão com submissão – como crianças pequenas – mas sim com rebelião e escalada de suas ações erradas.
Portanto, devemos sempre lembrar que a conexão é o que finalmente permite a correção, enquanto exigir correção como condição para a conexão não alcançará resultados abençoados.
O Quarto Mandamento: Até a maturidade sexual, o papel principal dos pais é proteger a saúde física e o mundo interior de seu filho
O Primeiro Mandamento nos ensinou que nunca devemos ver nosso filho como um meio para realização das nossas próprias aspirações.
A criança não é um brinquedo, uma posse, nem um troféu a ser exibido ou mostrado por sua aparência ou conquistas.
Essa concepção destrutiva leva muitos pais a pressionarem seus filhos pequenos para conquistas intelectuais (ou, na falta disso, a empurrá-los para a excelência atlética ou artística). No entanto, as Leis da Criação pedem apenas uma coisa dos pais: salvaguardar a saúde física e a paz interior de seu filho, proporcionando um terreno fértil para o espírito independente da criança, que emerge de sua cobertura protetora quando alcançada a maturidade sexual.
Terreno fértil significa uma casa com:
- Harmonia entre os pais e outros membros da família (batalhas entre Rainhas do Drama e Generais do Exército assustam profundamente as crianças, como vimos na introdução do curso)
- Alimentação saudável
- Atividade física
- Afeto físico
- Tempo passado na natureza
- Conexão com animais
- Atividade artística
Lembre-se de que as Leis da Criação são também as Leis da Natureza, e que “Tudo tem o seu tempo determinado, e para cada propósito há um tempo sob o céu” (Eclesiastes 3:1).
Assim como é errado colher e comer o fruto antes que esteja maduro, não devemos apressar o processo natural de desenvolvimento de nossas crianças.
O Quinto Mandamento: Assim como queremos ver os nossos filhos felizes, os nossos filhos querem nos ver felizes
Ser feliz significa muito mais do que apenas sobreviver e funcionar como ser humano. Portanto, assim como sofremos quando vemos os nossos filhos apenas sobrevivendo e funcionando, em vez de encontrar alegria em cumprir o seu propósito, eles também sofrem quando nos veem apenas sobrevivendo e funcionando, sem encontrar alegria em cumprir o nosso próprio propósito.
Pais que acreditam que sacrificar suas vidas pelos filhos os torna bons pais estão enganados. Viver de acordo com essa falsa concepção na verdade os transforma em pessoas amargas que se sentem como vítimas.
A criança pode então se sentir culpada por perturbar a vida de seus pais e se culpar pela infelicidade deles. Essa percepção – que automaticamente se transfere para a criança – transformará a criança em um pai que vê os seus próprios filhos como um fardo, ou a levará a renunciar completamente à parentalidade em sua busca pela felicidade.
Em contraste, se os pais operarem a partir do entendimento de que “um bom pai é aquele que é espiritualmente desenvolvido”, o seu filho crescerá vivenciando a felicidade dos pais e, com o tempo, se tornará feliz também.
Erich Fromm, em seu livro “A Arte de Amar”, ilustra isso lindamente através de sua distinção entre a maioria das mães que podem fornecer leite aos seus filhos – simbolizando necessidades básicas – e aquelas mães que também podem oferecer mel – simbolizando a doçura da vida.
No entanto, o mel só pode fluir de mães que encontraram a sua própria felicidade, e assim a sua influência na felicidade de seus filhos alcança muito além da infância, acompanhando-os por toda a vida!
Pois uma boa mãe é uma mãe feliz!
Portanto, se não formos felizes em nossas próprias vidas, deixaremos para os nossos filhos pesadas “dívidas” que eles precisarão “pagar” ao longo de suas vidas na forma de muito sofrimento pessoal, ou “resolver” através de intenso trabalho espiritual.
No entanto, se assumirmos a responsabilidade por nosso desenvolvimento espiritual, que nos recompensa com felicidade incondicional – deixaremos para os nossos filhos “heranças” que naturalmente os guiarão para um caminho de vida alegre.
Neste ponto, porém, é importante parar e perguntar: O que é felicidade? E especificamente: Como os pais definem a felicidade para os seus filhos?
Todos os pais no mundo diriam que só querem que seus filhos sejam felizes, mas o que eles realmente querem dizer é que querem que seus filhos sejam bem-sucedidos!
E como a maioria das pessoas está programada para vincular sucesso com felicidade, todos os pais essencialmente querem que seus filhos sejam bem-sucedidos – mas de acordo com os próprios critérios dos pais!
Para um pai, sucesso levando à felicidade significa criar uma família abençoada com filhos; para outro, sucesso significa acumular riqueza material, obter um diploma universitário, ou até mesmo pertencer a um grupo religioso específico.
No entanto, em todos os casos, a declaração dos pais de “eu só quero que você seja feliz” – quando vinculada ao seu conceito de sucesso – cria uma pressão tremenda sobre a criança e, na verdade, distancia o filho da possibilidade de ser feliz.
De fato, a felicidade é uma experiência interior intimamente conectada à autenticidade.
Em outras palavras, a felicidade vem de nossa capacidade de expressar a nossa “impressão espiritual” única no mundo, sem inibições ou máscaras (assim como cada pessoa tem a sua impressão digital única).
Portanto, se queremos filhos felizes, devemos respeitar a jornada única de cada criança.
Além disso, devemos parar de tentar criar nossos filhos em uma “bolha de felicidade”, protegendo-os de toda dificuldade. Se formos honestos conosco mesmos, a vida não é só arco-íris e borboletas, mas também traz desafios e lutas. É precisamente através da superação desses desafios e aprendendo com eles que ganhamos a verdadeira felicidade – o fruto da maturidade espiritual.
A abordagem tradicional à paternidade e maternidade – muito parecida com a medicina convencional – busca suprimir a dor e silenciá-la com medicação. No entanto, na paternidade e maternidade espiritualmente consciente, entendemos que enfrentar a dor e os desafios ajuda nossos filhos a se tornarem quem eles verdadeiramente devem ser.
Nosso papel como pais é simplesmente caminhar ao lado deles em seu caminho, apoiando o seu crescimento e desenvolvimento através das várias lições da vida.
O Sexto Mandamento: Nossos filhos inconscientemente assumem dificuldades para nos despertar e para nos corrigirmos
Como afirmado no Segundo Mandamento, aprendemos que a encarnação de uma alma não é aleatória, e disso podemos deduzir que existe um pacto entre nossos filhos e nós.
O que é um pacto, e como ele difere de uma relação contratual?
Diferentemente de um contrato, que pode ser quebrado ou terminado, resultando na saída de qualquer uma das partes quando está insatisfeita, um pacto é fundamentalmente diferente.
Pois onde existe um pacto, se uma parte está infeliz, em virtude do pacto, a outra parte não pode ser feliz também, nem pode simplesmente romper esse vínculo e deixar o outro para trás.
No pacto entre filho e pais, a mensagem inconsciente da criança é: “Mãe/Pai, não posso progredir em minha vida se você não estiver posicionado corretamente, então vou segurar um espelho para despertá-lo, mesmo que seja à custa do meu próprio sofrimento“.
E assim acontece que as crianças subconscientemente assumem doenças ou dificuldades de aprendizagem, ou sociais, como espelhos refletindo as correções que seus pais precisam fazer!
A grande maioria dos pais não está ciente disso e, portanto, tenta resolver os problemas de seu filho como se esses não estivessem relacionados à sua própria condição.
Na verdade, os pais prontamente e de bom grado investem fortunas na educação e saúde de seus filhos, mas não percebem que não podem separar o que está acontecendo com seus filhos da sua própria situação.
O clamor dos filhos para o desenvolvimento espiritual dos pais, que consequentemente também os tornaria melhores pais, passa despercebido por eles.
Para ajudar a esclarecer isso, aqui está um exercício chamado Exercício do Espelho que os pais podem fazer, em particular quando seus filhos enfrentam problemas de saúde, sociais ou acadêmicos.
Este exercício requer intuição (mas tendo chegado a este ponto no curso, nossa consciência espiritual deve estar desenvolvida o suficiente para começarmos a ouvir nossa intuição).
Aqui estão os passos do exercício:
- Concentre-se em uma criança que está vivenciando uma dificuldade específica (se outras crianças na família tiverem dificuldades, realize este exercício para elas separadamente em outro momento).
- Alguma parte dessa dificuldade está diretamente relacionada a você? Por exemplo: seu filho está constantemente com raiva, espelhando sua própria raiva constante. Ou estaria indiretamente relacionada? Por exemplo: seu filho sofre rejeição dos amigos na escola porque você rejeita o seu cônjuge ou até mesmo os seus próprios pais. (Lembre-se de que a interpretação indireta sempre requer mais intuição!)
- Você vê alguma parte dessa dificuldade como diretamente relacionada ao seu cônjuge? Por exemplo: tanto a criança quanto o pai lutam com problemas de peso. Ou indiretamente? Por exemplo: a criança afirma ter dificuldade para engolir – apesar dos médicos não encontrarem nenhum problema médico – na verdade espelhando a mãe que luta para expressar o que está passando.
- Essa dificuldade está direta ou indiretamente relacionada ao espaço entre você e seu cônjuge? (Lembre-se do espaço contaminado da lição nove, que nossos filhos constantemente “fotografam”?)
6. Comece a trabalhar e corrigir o que seu filho está mostrando a você.
7. De manhã quando acordar ou à noite antes de dormir, visualize o seu filho, sorria para ele e agradeça por ele estar impulsionando você em direção ao crescimento.
Esse exercício pode trazer verdadeiros milagres para os seus filhos! Mesmo que o seu intelecto e as suas emoções possam duvidar disso.
No entanto, é importante que os pais não se sintam culpados por não serem perfeitos e por levarem seus filhos a agirem como espelhos dessas imperfeições.
A consciência espiritual na paternidade e maternidade é um processo sem fim, e nossos filhos não pedem pais perfeitamente desenvolvidos, mas sim pais que estão em constante processo de desenvolvimento.
O Sétimo Mandamento: Nossos filhos não são o mais importante em nossas vidas
Pergunte à maioria das pessoas que criaram famílias: “qual é a coisa mais importante em sua vida?” e elas responderão sem hesitar, “os meus filhos!”
No entanto, como vimos na lição sete, colocar nossos filhos no topo de nossas prioridades na verdade se torna idolatria, contradizendo o Primeiro Mandamento: “Não terás outros deuses diante de Mim”.
Vamos recordar os princípios fundamentais que já aprendemos: “outros deuses” não significa apenas ídolos e estátuas, mas na verdade se refere a qualquer coisa à qual uma pessoa atribui a maior importância em sua vida e da qual extrai sua força.
Para uma pessoa pode ser dinheiro; para outra, status social ou profissional; para uma terceira, aparência externa; e para uma quarta, os seus filhos.
Já dissemos que nossos filhos não vieram para realizar nossos sonhos nem para preencher nosso vazio interior. Portanto, se extraímos deles a força, e um dia eles simplesmente quiserem seguir o seu próprio caminho, poderemos recorrer à manipulação para evitar que nos deixem ou, alternativamente, vivenciaremos a depressão da síndrome do ninho vazio.
Se os nossos filhos são a nossa maior prioridade e, Deus não permita, algo aconteça com eles, podemos entrar em colapso total e talvez até sermos incapazes de ajudá-los, porque os transformamos em nossa fonte de força e nutrição em vez de nos nutrirmos da única Fonte e recebermos força diretamente de Deus.
O Oitavo Mandamento: Nossos filhos têm tanto o direito quanto a obrigação de examinar tudo o que receberam de nós
A visão predominante da paternidade e maternidade defende que os filhos devem continuar as tradições praticadas por seus pais e passá-las para seus próprios filhos, geração após geração.
No entanto, como já explicamos, os nossos filhos não nos pertencem, e uma vez que saem da infância, eles têm livre arbítrio e também carregam a obrigação de usá-lo, caso desejem se tornar seres humanos no sentido mais pleno da palavra.
Portanto, devemos conceder aos nossos filhos o direito de examinar objetiva e independentemente tudo o que recebem de nós. Por exemplo: filiação religiosa, obrigação de serviço militar e lealdade nacional, atitudes em relação à ciência e diversos tratamentos médicos, e mais.
Devemos permitir que eles escolham o que é certo através de sua própria experiência pessoal e não através de obediência cega.
O Nono Mandamento: Uma vez que nossos filhos atingem a idade adulta, não lhes devemos nada
De acordo com as Leis da Criação, uma vez que a pessoa atinge a maturidade, ela deve se sustentar por conta própria, e seus pais não lhe devem mais nada.
Os pais não estão obrigados a deixar seus filhos morarem em casa para sempre, continuando a limpar o seu quarto, lavar as suas roupas nem servir suas refeições.
Eles não são obrigados a fornecer ajuda financeira nem a comprar uma casa para seus filhos quando eles se casam – nem devem se sentir culpados por não serem bons pais se não puderem fazer essas coisas.
Eles não estão obrigados a cuidar dos netos sempre que os seus filhos exigirem.
E eles também não são obrigados a deixar uma herança para os seus filhos após a sua morte.
Tudo o que os pais dão aos seus filhos adultos é um presente.
Isso fará com que os filhos sintam gratidão pelo que recebem e os ajude a se tornarem mais criativos e independentes.
Para os pais, isso permite que eles continuem a sua própria jornada de desenvolvimento, que não deve terminar simplesmente porque escolheram se tornar pais.
O Décimo Mandamento: Devemos aspirar e orar por uma conexão espiritual com os nossos filhos
A coisa mais maravilhosa que pode acontecer a pais espiritualmente conscientes é que, um dia, os seus filhos estarão conectados a eles não apenas por laços biológicos, mas também por vínculos espirituais.
Esse é um estado onde tanto os pais quanto os seus filhos estão engajados em um profundo processo de desenvolvimento espiritual compartilhado, e seus encontros e conversas tocam as camadas mais profundas de sua existência.
Em conclusão: pais que vivenciam os “Dez Mandamentos da Consciência Espiritual na Paternidade e Maternidade” são pais que entendem a imensa importância de desenvolver a sua própria consciência espiritual.
Isso os permite se tornarem a “Estrela do Norte” para a qual os seus filhos levantam seus olhares enquanto seguem os seus caminhos, iluminando os seus cursos mesmo nas noites mais escuras.