O Fim dos Tempos e a Nova Era trazem muitas despedidas e separações.
A primeira dessas divisões aconteceu durante a pandemia da COVID. Foi uma separação entre dois grupos:
Os corajosos o suficiente para tomar a “pílula vermelha” –aqui eu me refiro à escolha, no filme “Matrix”, de se libertar da ilusão, ver a verdade dura e reconhecer o portal para o novo mundo. Esses indivíduos despertaram para a dura realidade do nosso mundo falso, um sistema no qual vivemos há séculos. E aqueles que escolheram a “pílula azul” preferindo o conforto de permanecer dentro da realidade virtual, inventada sim, porém familiar.
Tomar ou não tomar a “pílula vermelha” –tomar ou não tomar a injeção. Essa era a questão.
O modo como cada pessoa escolheu responder a essa questão levou à primeira grande divisão na humanidade.
Era impossível intervir e tentar influenciar alguém a escolher diferentemente (muitos tentaram, a maioria sem sucesso) porque “despertar ou não despertar” é uma questão que cada pessoa deve responder através do seu próprio livre-arbítrio —concedido a todos nós.
Essa separação —entre aqueles que escolheram sair da Matrix e aqueles que escolheram permanecer dentro dela— criou uma realidade na qual membros de uma mesma família e amigos continuaram a compartilhar o mesmo espaço físico, mas vivem internamente em realidades separadas, em universos paralelos.
Eles podem falar a mesma língua, mas não se entendem mais: o marido e sua mulher, o irmão e sua irmã, a mãe e seu filho, dois amigos.
No entanto, as paredes da prisão da Matrix são construídas de uma forma muito mais sofisticada do que a maioria daqueles que escolheram tomar a “pílula vermelha” pode imaginar.
Mesmo aqueles que conseguiram despertar e descobrir que, de fato, vivem em uma prisão instituída (e, portanto, tentam com todas as suas forças se rebelar contra ela) raramente conseguem entender que existe uma prisão mais reforçada e mais bem guardada na Matrix, na qual o seu espírito ainda continua confinado!
Tal pessoa pode falar sobre “manipulação da consciência” e da necessidade de “libertar a consciência”, mas não está ciente de que, de fato, temos três consciências: uma consciência intelectual, uma consciência emocional e uma consciência espiritual.
Ela “pensa” e “sente”, e acredita que é isso que a torna ser humano. No entanto, já perdeu a capacidade de ouvir a voz do seu espírito, que é a intuição. Somente o espírito pode nos transformar em um ser humano verdadeiramente vivo, no sentido mais amplo da palavra.
O espírito está paralisado! O espírito está sufocado!
E este problema tem perdurado por milhares de anos…
Desde que Adão e Eva foram tentados pela serpente e comeram da Árvore do Conhecimento, perdemos a conexão com o nosso espírito (a propósito, a história do Jardim do Éden não é um relato histórico, mas um relato simbólico que nos ajuda a entender a tragédia da humanidade).
Vivemos —ou mais precisamente, subsistimos— unicamente com a consciência material, composta de intelecto e emoções (que às vezes se disfarçam como a voz do espírito!).
Somos capazes de perceber apenas o mundo terreno e não conseguimos compreender o que se encontra para além do tempo e do espaço.
Perdemos a conexão com a nossa pátria espiritual —o Paraíso— e esquecemos completamente que o mundo material não é o destino e propósito de nossas vidas, mas é meramente uma escola para o desenvolvimento do espírito!
Substituímos a nossa conexão com Deus pela religião institucionalizada.
Portanto, mesmo que tenhamos despertado ao tomar a “pílula vermelha” e desde então tenhamos estado lutando para manter nossa saúde e acesso ao nosso dinheiro (pensando que ao fazer isso somos “guerreiros da liberdade e da Luz”), ainda assim não estamos livres e não estaremos na Luz enquanto o nosso espírito permanecer paralisado e sufocado.
Mesmo que, por um momento, o espírito consiga gritar por trás dos muros mais bem guardados das paredes da prisão da Matrix —isto é, por trás da consciência material, intelecto e emoções— os “agentes” da Matrix rapidamente nos prescreverão remédios psiquiátricos para depressão e ansiedade, ou nos enviarão a intermináveis sessões de psicanálise excessivamente intelectuais no divã do psicólogo, ou a workshops repletos de trocas emocionais e abraços em grupo…
Assim, o espírito é novamente silenciado e sufocado. Os “medicamentos” e “processos de cura” podem nos fazer “sentir bem” (por um certo tempo), mas às custas de uma sentença de condenação perpétua para o nosso espírito.
Portanto, qualquer pessoa que verdadeiramente queira escapar da Matrix deve entender que não conseguirá a menos que sua consciência espiritual seja libertada!
Ela não será livre a menos que decida —por meio de coragem e esforço constante— a livrar-se disso. Mas, desta vez, a separação ocorrerá lá dentro: o seu espírito se livrará do controle do intelecto e das emoções.
Decidir deixar a escravidão da Matrix (assim como os antigos israelitas deixaram o Egito para escapar da escravidão do Faraó) é o primeiro passo no caminho da libertação.
Pois somente aquele que passa pelo treinamento “no deserto”, e transforma sua consciência interior, de uma consciência escrava (controlada pelo intelecto e pelas emoções) para uma consciência espiritual de fato livre, pode verdadeiramente entrar pelos portões da Terra Prometida e se transformar em um Novo Ser Humano que construirá o Novo Mundo.