A Lei do Dar e Receber é uma das Leis da Criação, porém a maioria das pessoas a ignora, e ainda se pergunta por que sua vida nunca melhora de fato.
O significado desta Lei é simples e inequívoco: somente o ato de dar torna o receber possível — jamais o contrário.
Por exemplo, a pessoa passa anos ouvindo palestras e lendo artigos e publicações que estão disponíveis de forma gratuita e acessível. No entanto, apesar de todo o conhecimento revolucionário que consumiu e absorveu, a sua vida permanece estagnada, imutável, sem nenhuma transformação real.
Por quê?
Porque ela nunca considerou a necessidade de dar algo em troca de tudo que recebeu.
Em casos mais extremos, a pessoa materialista e egocêntrica pode até reclamar quando lhe é solicitado pagar por um curso ou livro, acreditando que tudo o que é espiritual deva ser gratuito (No entanto, quando se trata de uma viagem de férias ou de uma refeição em um bom restaurante, ela não tem nenhum problema em gastar, e jamais lhe ocorreria esperar que essas coisas fossem gratuitas.).
Contudo, somente o ato de dar abre o canal pelo qual o receber se torna possível. Portanto, aquele que não está disposto a dar nada, acabará por não receber nada. Todas as bênçãos concedidas àqueles que verdadeiramente sabem dar, lhe serão negadas.
Todas as bênçãos concedidas àqueles que verdadeiramente sabem dar, lhe serão negadas.
E o que é o verdadeiro dar?
O verdadeiro dar é aquele realizado exclusivamente para o bem maior do outro (e não para o benefício do próprio ego).
Neste ponto, muitas pessoas imediatamente pensarão consigo mesmas: “Isso não se aplica a mim. Eu sempre doo apenas para fazer os outros felizes”.
Porém, o ego é muito mais astuto e sofisticado do que a maioria dos seres humanos consegue perceber.
O ego é um ator brilhante. Ele sabe como se disfarçar de generosidade, de amor e desejo de dar — enquanto, na realidade, busca apenas reconhecimento, controle ou validação.
O ego é como o “Estado Profundo” que opera nas sombras do nosso mundo interior, extraindo poder dos outros para si mesmo de inúmeras maneiras que, externamente, podem parecer altruístas.
Por exemplo: a mãe que jura que daria tudo pelos filhos, enquanto, na verdade, é o seu ego que quer que seus filhos realizem tudo aquilo que ela mesma não conseguiu realizar.
Outro exemplo é o do artista que sobe ao palco “para trazer alegria aos outros”, enquanto, na realidade, toda essa doação de si serve apenas para alimentar seu ego, cuja fome por reconhecimento e atenção jamais pode ser saciada.
É claro que existem mães e artistas que se doam de forma genuinamente pura, mas no mundo movido pelo ego em que vivemos, eles não são a maioria.
Ainda assim, há um teste simples que qualquer pessoa pode utilizar para descobrir se o seu ato de doação é puro ou motivado por interesse próprio:
A mãe pode se perguntar: “Se meus filhos escolherem um caminho diferente do meu, ainda assim permanecerei feliz? Ou a minha felicidade depende de eles realizarem os meus próprios desejos?”
O artista pode se perguntar honestamente: “Ainda sou feliz quando não estou no palco e não há nenhuma plateia me aplaudindo? Ou o vazio e a depressão tomam conta, tornando necessário o uso de drogas ou outras formas de escapismo para amenizar o abismo entre o que acontece no palco e a minha vida privada?”
(A propósito, o renomado Rabi Nachman de Breslov referia-se às pessoas que levam esse tipo de vida dupla como “celebridades falsas.”)
Em contrapartida, consideremos a bênção que recai sobre uma pessoa que atingiu o nível em que tudo o que ela doa — seja um presente, um ato de bondade ou mesmo um simples conselho — está completamente livre do ego.
Naturalmente, as pessoas sentirão gratidão por tal pessoa. Essa gratidão sobe como uma oração e retorna ao doador na forma de uma bênção visível a todos. Isso acontece em conformidade com outra Lei fundamental da Criação: a Lei da Ação Recíproca.
Entretanto, como as Leis da Criação não podem ser enganadas, pois discernem as intenções mais profundas do coração, se a gratidão é dirigida a alguém cujos motivos são impuros, a bênção não pode verdadeiramente repousar sobre ele. Essa simplesmente não encontrará um terreno adequado no qual possa se enraizar.
No máximo, tal pessoa — mesmo que tenha doado milhões aos pobres — poderá alcançar fama terrena temporária, mas jamais a verdadeira recompensa que somente pode ser recebida por aquele que vive em harmonia com a Vontade Divina na Criação.